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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Para além da inocência

Também quanto a catequeses, estava eu mais ou menos bem conversado. Ouvira falar dos mistérios da Santíssima Trindade e da Reencarnação. Contaram-me, vezes sem conta, como por um relógio de repetição, a história do bezerro e da burra, dos Reis Magos e da Estrela do Oriente, pelas Christmas de antigamente. Mas nunca percebi como podiam três coisas, Pai, Filho e Espírito Santo, reunirem-se e serem uma só pessoa, e como a Virgem Maria, casada com um carpinteiro de virilha murcha mas emprenhada pelo Anjo do adultério, pôde ter parido um filho por baixo, numa manjedoura, e ainda assim continuar virgem; tão pouco acreditei na ressurreição de Lázaro e de Jesus e a subida ao Céu de Nossa Senhora. Coisas de mais para a minha cabeça distraída, como muitos outros negócios da religião: os pobres continuam a acreditar no papa e nos bispos. Os ricos, esses, têm razões de sobra para crer nas superiores fantasias de Deus Nosso Senhor!

Gente Feliz com Lágrimas de João de Melo

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Tenho pena

porque este é o meu primeiro e/ou segundo país: de ouvir nomes de mulheres/homens! como MARISA CAROLINA - qual o mal de Maria? João? Porque tudo se resumo no nome próprio. 24de Abril estás livre de voltar.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Em "bom" português

fim
(a ouvir Fácil de entender dos The Gift)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Num tempo em que eu descobria o português


deixei dobrada esta página (?) de contos analógicos de Maria Isabel Barreno (a ouvir Seu Jorge e Ana Carolina ao vivo)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Tenho andado a adiar

mas amanhã é dia de me decidir (ao som dos Gaiteiros de Lisboa) alma alba...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Bom +: Carlos Paião e Donna Maria

Primeiro a serra semeada terra a terra
Nas vertentes da promessa
Nas vertentes da promessa
Depois o verde que se ganha ou que se perde
Quando a chuva cai depressa
Quando a chuva cai depressa

E nasce o fruto quantas vezes diminuto
Como as uvas da alegria
Como as uvas da alegria
E na vindima vão as cestas até cima
Com o pão de cada dia
Com o pão de cada dia

Suor do rosto pra pisar e ver o mosto
Nos lagares do bom caminho
Nos lagares do bom caminho
Assim cuidado faz-se o sonho e fermentado
Generoso como o vinho
Generoso como o vinho

E pelo rio vai dourado o nosso brio
Nos rabelos duma vida
Nos rabelos duma vida
E para o mundo vão garrafas cá do fundo
De uma gente envaidecida
De uma gente envaidecida

Vinho do Porto
Vinho de Portugal
E vai à nossa
À nossa beira mar
À beira Porto
À vinho Porto mar
Há-de haver Porto
Para o nosso mar

Vinho do Porto
Vinho de Portugal
E vai à nossa
À nossa beira mar
À beira Porto
À vinho Porto mar
Há-de haver Porto
Para o desconforto
Para o que anda torto
Neste navegar

Por isso há festa não há gente como esta
Quando a vida nos empresta uns foguetes de ilusão
Vem a fanfarra e os miudos, a algazarra
Vai-se o povo que se agarra pra passar a procissão
E são atletas, corredores de bicicletas
E palavras indiscretas na boca de algum rapaz
E as barracas mais os cortes nas casacas
Os conjuntos, as ressacas e outro brinde que se faz

Vinho do Porto vou servi-lo neste cálice
Alicerce da amizade em Portugal
É o conforto de um amor tomado aos tragos
Que trazemos por vontade em Portugal

Se nós quisermos entornar a pequenez
Se nós soubermos ser amigos desta vez
Não há champanhe que nos ganhe
Nem ninguém que nos apanhe
Porque o vinho é português

A vida continua...

A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.
Machado de Assis

Chegou miudinha no dia de hoje

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Transparente líquido outonal

Pingos caem sobre a paisagem. Tocam no fundo para dar de beber à terra poeirenta de fim de verão. Um casal aconchegado de pena ave namora cuidando da margem do rio. Suas vizinhas verdes folhas sacodem ao vento o líquido hemorrágico. Quietos marido e mulher em reino próprio olham o rio à foz.

O vento amainou. A chuva não.

Margem a margem a velha ponte liga vida vivida. Continua de pedra e água.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Contos mágicos de palavras invulgares

começa assim
O não desaparecimento de Maria Sombrinha “Pense-se, antemanualmente, que esta estória arrisca conter morte de criança. Veremos a verdade dessa tristeza. Como diz o camaleão – em frente para apanhar o que ficou para trás.” continua A viagem da cozinheira lagrimosa “- Dinheiro, meu patrão, é como lâmina… corta dos dois lados. Quando contamos as notas se rasga a nossa alma. A gente paga o quê com o dinheiro? A vida nos está cobrando não o papel mas a nós próprios. A nota quando sai já a nossa vida foi.” também A última chuva do prisioneiro “Que caia um montão de chuva, até chover dentro de mim, pingar-me os tectos da cabeça, me aguar o coração e eu sentir que Deus me está lavando das poeiras que a vida me sujou.” e ainda A gorda indiana “Ele a tomou nos braços e a acarinhou, cedido, sedento. Os que beijam são sempre príncipes.” também A menina, as aves e o sangue “A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo o seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta: - Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade. A mãe regressou a casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor. – Então, minha querida não escutou nada?”

Contos do Nascer da Terra de Mia Couto

para meu agrado ainda não acabei

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Hoje em dia

manhã nova, dia novo, vida nova.
"É o mundo do escuro e do claro, do barulho e do silêncio, do áspero e do liso. O seu espaço às vezes é grande e às vezes é pequeno, sabem-no todos os que voltaram à casa da sua infância. O seu tempo é às vezes curto, às vezes longo..."
E. Titchener

Está feita a escolha

PSICOLOGIA

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Não tiro o mérito ao


mas gosto e muito da interpretação de os Donna Maria

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Volta e meia Fernando Pessoa

Ah, a frescura das manhãs em que se chega,
E a palidez das manhãs em que se parte,
Quando as nossas entranhas se arrepanham
E uma vaga sensação parecida com um medo
- O medo ancestral de se afastar e partir,
O misterioso receio ancestral à Chegada e ao Novo –
Encolhe-nos a pele e agonia-nos,
E todo o nosso corpo angustiado sente,
Como se fosse a nossa alma,
Uma inexplicável vontade de poder sentir isto doutra maneira:
Uma saudade a qualquer coisa,
Uma perturbação de afeições a que vaga pátria?
A que costa? A que navio? A que cais?

quarta-feira, 29 de julho de 2009