Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Num tempo de descoberta (anotação) 1 de Agosto de 2006

Uxoricídio (*dicionário*) Ornitologia, Pavilhão 3 (I) (*fobia*) As mãos de Nick Cave ao piano (*conhecido*) Guarda-chuvas, corvos e gaivotas (*vivências*) Pensão vitalícia (*vida e morte*) História das camisas e não só (*passado presente futuro*) Rotunda (*a vida e o que não gosto*) Herbário de António, o Santareno (*apaixonante*)

O Preço da Chuva de Daniel Abrunheiro


* da minha autoria *

sábado, 12 de março de 2011

Pois bem

não é a primeira vez mas a segunda que começo um livro com o desconhecimento e a sequente ida ao dicionário.
“Trata das advertências ao ledor e de outros teores de idêntico interesse”

A virgem de Luís Miguel Rocha

O que encontrei de bem actual na descrição

" Agora, é só" ler.

sexta-feira, 4 de março de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

Lembrar é saber

Depois de Gaibéus, de Alves Redol, Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes, é considerada uma das primeiras obras romanescas filiadas numa estética neo-realista, numa primeira fase de afirmação deste movimento literário. Denunciando as duras condições de vida das crianças que trabalham nos telhais para sobreviver, Esteiros apresenta-nos um protagonista colectivo, os "filhos dos homens que nunca foram meninos", como Sagui, Maquineta, Guedelhas, Gaitinhas e Gineto, na sua luta trágica contra a miséria e contra a opressão desumana de uma sociedade submetida à exploração capitalista.

O discurso narrativo é estruturado pela passagem das estações, o que remete para a dependência da actividade económica relativamente à Natureza, impondo à classe que vive do fabrico de tijolos o emprego ou o desemprego, mas também para uma circularidade temporal que aparentemente não é gérmen de mudança, sendo a Natureza espectadora impassível de uma história humana marcada pela gradação crescente de situações disfóricas. Com efeito, as crianças e algumas personagens individualizadas descrevem um pequeno percurso de vida, onde a desgraça se multiplica, sem esperança e sem remédio, capítulo após capítulo, culminando com situações de morte, prisão, embriaguez, loucura, fazendo eco de um conflito surdo de classes que se institui de forma hierarquizada: Zé Vicente, pequeno tiranete dos telhais, é, ele também, oprimido até à falência pelo proprietário dos terrenos, o Sr. Castro, sendo, como a gente dos esteiros, crianças e adultos, sugado por interesses económicos.
As únicas notas de mudança que indiciam a possibilidade de tomada de consciência e consequente libertação da classe explorada, são, na opinião de Isabel Pires de Lima (prefácio à 5.a edição, 1981), a solidariedade que une os garotos e a partida de Gaitinhas, no fim do romance, símbolo da "busca dessa alvorada libertadora".
No âmbito de uma estética romanesca neo-realista, Esteiros privilegia, numa tentativa de representação verosímil da dinâmica social e não perdendo de vista a acessibilidade da escrita, a objectividade, a frase simples e o discurso directo, dando, sempre que possível, a voz às próprias personagens.
Infopédia

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sempre urgente: o que me faz bem

são as palavras bens construídas. Eu não as sei construir.
Quem sabe sabe. Eu sei que não sei. Por isso preciso.
Uma palavra arrumada de imaginação é uma nota de música para quem como eu gosta de música.
Gosto de... No feminino. O enredo Eça. A trama Camilo. O jejum Saramago. A família Márquez. A secretária de Llosa. Muitos outros Sena O’Neill Antunes Mourão Ary. E sobretudo Santareno. Todos e um (sem falar ainda dos meus franceses.)

sábado, 23 de outubro de 2010

À falta de A Rapariga dos Pés de Vidro de Ali Shaw

aujourd’hui via FNAC deux (petits) livres du même auteur Julio Cortázar

«Le samedi à midi, oncle Carlos est arrivé avec la machine à tuer les fourmis. Il
et

«Dédée m’a téléphoné dans l’après-midi pour me dire que Johnny n’allait pas bien et je suis tout de suite passé le voir. Johnny

domingo, 17 de outubro de 2010

Eu Ele e Ela

A paixão seguindo o ESCRITOR
Só com alguns me apaixono pelas suas minhas palavras.

A paixão seguindo a ESCRITORA
A palavra é como uma maçã.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

2010 Mario Vargas Llosa

2009 Herta Müller; Jean-Marie Gustave Le Clézio; Doris Lessing; Orhan Pamuk; Harold Pinter; Elfriede Jelinek; John Coetzee; Vidiadhar Naipaul; Gao Xingjian; Günter Grass; José Saramago; Dario Fo; Wislawa Szymborska; Seamus Heaney; Kenzaburo Oe; Toni Morrison; Derek Walcott; Nadine Gordimer; Octavio Paz; Camilo José Cela; Naguib Mahfouz; Joseph Brodsky; Wole Soyinka; Claude Simon; Jaroslav Seifert; William Golding; Gabriel García Márquez; Elias Canetti; Czeslaw Milosz; Odysséas Elýtis; Isaac Bashevis Singer; Vicente Aleixandre; Saul Bellow; Eugenio Montale; Harry Martinson; Eyvind Johnson; Patrick White; Heinrich Böll; Pablo Neruda; Alexander Soljenítsin; Samuel Beckett; Yasunari Kawabata; Miguel Ángel Asturias; Nelly Sachs; Shmuel Yosef Agnon; Michail Sholokhov; Jean-Paul Sartre; Giórgos Seféris; John Steinbeck; Ivo Andric; Saint-John Perse; Salvatore Quasimodo; Boris Pasternak; Albert Camus; Juan Ramón Jiménez; Halldór Laxness; Ernest Hemingway; Winston Churchill; François Mauriac; Pär Lagerkvist; Bertrand Russel; William Faulkner; T. S. Eliot; André Gide; Hermann Hesse; Gabriela Mistral; Johannes Vilhelm Jensen; Frans Eemil Sillanpää; Pearl S. Buck; Roger Martin du Gard; Eugene O’Neill; Luigi Pirandello; Ivan Bunin; John Galsworthy; Erik Axel Karlfeldt; Sinclair Lewis; Thomas Mann; Sigrid Undset; Henri Bergson; Grazia Deledda; George Bernard Shaw; Wladyslaw Reymont; William Butler Yeats; Jacinto Benavente; Anatole France; Knut Hamsun; Carl Spitteler; Henrik Pontoppidan; Karl Adolph Gjellerup; Werner von Heidenstam; Romain Rolland; Rabindranath Tagore; Gerhart Hauptmann; Maurice Maeterlinck; Paul Johann Ludwig von Heyse; Selma Lagerlöf; Rudolf Eucken; Rudyard Kipling; Giosuè Carducci; Henryk Sienkiewicz; Frédéric Mistral; José Echegaray; Bjornstjerne Bjornson; Theodor Mommsen; Sully Prudhomme 1901.



Fantástico - um dos meus preferidos

Mario Vargas Llosa recebe o prémio Nobel de Literatura 2010.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Publicação

- É chegada a minha hora,

balbuciou a velha, que se encontrava havia mais de três meses no seu leito, diga-se mais morta do que viva, com forças apenas para aquelas palavras, como se as tivesse poupado para, desse modo, dar por anunciado o fim da mulher mais beata que o mundo alguma vez conhecera, estranha pronúncia foi aquela, a penúltima, uma cabala de uma morte evidente, porque a última da morte ninguém sabe, mas todos sabiam que era sem dúvida o adeus esperado da mais abnegada pessoa que a igreja e a sociedade alguma vez baptizaram naquelas ilhas abandonadas, tratava-se da mulher mais desinteressada pela vida que a vida alguma vez recebera, aquela que entre todas este mundo menos amara, aquela que mais desprezara o corpo e os seus prazeres, a mais temente a Deus de todas as criaturas, a grande pedra da igreja local, a catequista a tempo inteiro e por todo o tempo da diocese, a mais admiradora de Jesus que nenhuma outra cristã, a conhecedora sem par das Escrituras, a servidora ímpar dos pobres, o exemplo absoluto dos fiéis, mulher que, para além de dedicar toda uma vida a preparar-se para um dia subir ao céu e viver à direita dos apóstolos, também era uma estudiosa incomparável da morte, de todas as formas da morte, porque queria saber bem como morrer para poder alcançar a vida eterna, o que lhe dera conhecimentos inéditos e lhe permitira decifrar todas as etapas por que passam todos os mortos, e dizia que as fases da moribunda são seis, a Dúvida, o Desespero, o Apego, a Impaciência, que é o momento da cólera, o Orgulho, e o Abandono, assim bem contadinhas, mas isso não lhe fazia ter menos medo à morte, mesmo crente da sua inabalável esperança de ser ressuscitada de entre os mortos no dia do Juízo Final, objectivo para o qual dedicara todos os seus anos de menina, a sua mocidade, a sua virgindade, a sua irmandade, o seu corpo, e a sua implacável devoção de freira, tudo sacrificara para um dia morrer bem, de tal modo que, quando ela emitiu a custo a frase É chegada a minha hora, as netas que com ela estavam interpretaram aquilo como sendo finalmente a renúncia da vida e a aceitação da morte, e, na verdade, era o que ela queria dizer, embora seja de um paradoxo abissal o desapego à vida e o medo à morte, mas, para a glória da sua coragem, a velha acabara de pronunciar a frase, dita entre os dentes e o delírio, é verdade, mas com a última das coragens e, nesse momento, ali ante as suas netas, sentiu-se a ser elevada às alturas, que uma nuvem a recebia, ocultando-a, e ela então não se lembraria de mais nada, como é natural, entrara já no túnel da morte e qualquer lembrança nessa hora desencadeia um apego atroz à vida,
- Valha-nos Deus, chamem o médico, chamem o médico,

gritaram as netas agarradas à cadeira onde vinham passando o tempo, revezando-se havia três meses, pois a velha nunca quisera estar só e arranjou aquele assento de cabeceira que, na linguagem da morte, se chama cadeira de acompanhamento, coisas que ela aprendera no livro do padre ortodoxo Jean Yves Leloup, ao decidir que queria ter o mesmo trato que ela sempre dispensara aos moribundos que acompanhava em todas as suas fases, sete a saber, a Compaixão, a Invocação-Evocação, a Unção, a Escuta, a Bênção, a Comunhão Eucarística e a Contemplação,

- Não chamam nada, na minha morte mando eu,

Novíssimo Testamento de Mário Lúcio Sousa

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Eça de Queirós/García Márquez

El crimen del padre Amaro de Carlos Carrera
e
Love in the time of cholera de Mike Newell
(re-ver)